domingo, 21 de maio de 2017

Onde pus a minha esperança...

"Perdi o bonde e a esperança...
Drummond 




Onde coloquei a esperança?
Tão farta, como uma herança.
Desabrochando como a rosa
Em algum jardim, toda viçosa.


Sem acreditar, pus-me a sonhar.
Esquecendo que seu desabrochar,
Não depende só da natureza:
Este despontar das sutilezas.

E esquecida...  Num qualquer canto:
Mostrou-se,  os meus desencantos.
Foi-se de vez, seu fugaz perfume,
Ficando o amargo queixume!

Perdoem os meus tolos erros...
Deixando-a nestes campos ermos
Minha doce rosa... Ao relento:
Mera vaidade e desatento.

Há de haver outras primaveras...
Despertando-nos p’ra outras eras,
Sem ficar revivendo o outrora:
Desejo incontido do agora!




















Femmes au jardim
Claude Monet1866-1867



terça-feira, 16 de maio de 2017

GALÁXIAS



















"Noite; essa sombra é de que corpo?
Das curvas do corpo do amorfo universo?
E a estupidez da matéria era impune."

Vicente Cecherelo







Noite, tão espessa noite...
Dos amantes, dos cinamomos!
Dos que não nasceram ainda...
E daqueles já contagiados pela lua
Na sofreguidão dos almejos impossíveis!
Noite, tão espessa noite...
Do natimorto d’onde a súplica da vida
Não penetrou em suas entranhas:
Dando o sopro claro do enigma!
Sendo meros ensaios, desejos...
Não acariciado com o preciso cinzel:
Feita então, somente pelo mero destino...
Esculpindo-se em disforme modo findos,
Em sua esquálida sombra imprecisa!
Noite, tão espessa noite...
Dos Ianomâmis que adoram o ocaso
E dançam possuídos, festejando as estrelas,
Venerando contente o desconhecido:
Oferendas postas inocentes ao futuro!
Noite, tão espessa noite...
Vejo-me inerte nos turbilhões que cintilam
E pulsam num compasso cósmico, único:
Longínquo e ao mesmo tempo não exíguo.
Neste incontido espectro, indefinido...
Impregnando-nos dilaceralmente:
D'um desejo infinito do existir!





Luis Antonio Rossetto é Registered & Protected Blog Entry

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A região NGC 3603 contém um dos mais impressionantes aglomerados de estrelas jovens na Via Láctea.







segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Há um compasso de espera no coração...

























Há um tempo de nascer, outro de morrer.
E no lacônico intervalo, o resistir!
Onde os corpos se encontram aflitos
Procurando o amor no entender dos fluidos.
Há um de crescer, outro de aprender....
Conhecer o amor em sua plenitude,
E fazê-lo, sempre, seu derradeiro abrigo!
Há um tempo de ganhar, outro de perder...
E de fazer, sem querer, da esperança:
Seu modo peculiar de espontânea vida!
Há um tempo de chegar, outro de partir,
Sendo que aquilo que vivemos com ardor,
No passar das breves estações, fica
Nas boas lembranças que se leva consigo!
Há um tempo de cultivar, outro de ceifar,
De valer todo o suor por ter arado a terra;
Semeando os sonhos e vendo-os refletidos
No sorriso descontraído e sem pressa do filho.
Há um tempo de florir, outro de renunciar,
Onde a seiva da vida ainda nos possui,
Sendo um néctar precioso que se esvai...
E, inefavelmente, um dia finda!


















Campo de centeio:

Imagem retirada da internet

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

A rosa do amanhã...






Quando o acaso chegar...
E banhar o teu véu acariciado pela aventura,
De ser humana a condição lavrada,
Nas temperas das dores vividas!
Lembrarás, inevitavelmente...
Dos amores por um dia perseguidos:
Numa juventude da flor da mocidade
Dum outrora jamais esquecido.
E te contaminará de uma arrebatadora
Saudade de um tempo onde a maldade
Não abrigava nossos corpos desprotegidos!
E íamos tão felizes sem o perceber...
Sendo que esvaia o melhor do fruto
Com sabores infinitos de um gosto,
Que nunca e jamais apreciaríamos:
Este desejo finito que foi as nossas vidas!

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Outras primaveras virão...








Ah! Quem dera...
Ser sempre primavera!
E no esperar continuo:
Trazendo em seu sopro: o pólen
Tecendo a madrigal aurora,
Matéria- prima intacta,
Ainda não fecundada
Pelas mãos do destino!
Encontro prometido
Da esperança ainda não vivida,
Na sempre mudança dos dias...
Ainda virão outras primaveras:
Onde há de florir em nossos campos,
A incansável estação da perseverança!








Pictures by: Claude Monet     PRIMAVERA





sábado, 24 de setembro de 2016

A rosa do amanhã









Quando o acaso chegar...
E banhar o teu véu acariciado pela aventura,
De ser humana a condição lavrada,
Nas têmperas* das dores vividas!
Lembrarás, inevitavelmente...
Dos amores por um dia perseguidos:
Numa juventude da flor da mocidade
Dum outrora jamais esquecido.
E te contaminará de uma arrebatadora
Saudade de um tempo onde a maldade
Não abrigava nossos corpos impunes!
E íamos tão felizes sem o perceber...
Sendo que esvaia o melhor do fruto
Com sabores finitos... De um gosto,
Que nunca e jamais apreciaríamos:
Este desejo infinito que foi as nossas vidas...





Têmperas*


imagem:

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Foi preciso te perder para poder me encontrar...













 "...Ao finito e infinito do nosso existir..."










( " Este sono da gente, o universo..."
Fernando Pessoa  )










Haverão de existir outras formas tão plenas
De viver e de cotidianamente se amar!
Entender todas as razões verdadeiras
E de saber valer a pena todo o sonhar!

Não mais viver por viver...
E sempre estar próximo de algo bem maior
Tendo assim,  mil maneiras do despertar:
Não tendo como não mais se libertar, eternamente...


Hoje encontrei novamente o motivo...
E sempre estarei cantando e não haverá
Tristeza que possa me alcançar,
Pois agora eu sei bem... Estar em pleno habitar!


Compreender o finito e infinito em nós 
E ater-se: Não nas coisas ínfimas...
Mas sim, nas coisas bem mais do que rimas:
Estas definitivamente...  Ousarão  em ficar!











Pictures:  A sesta: Vincent Van  Gogh

http://rradeir.blogspot.com/2010/10/astronomia-na-arte-de-vincent-van-gogh.html